terça-feira, 8 de setembro de 2009

Discurso do Swamiji Atmavidyananda aniversário do Guruji

Swami Atmavidyananda, gravado dia 15, direto de Miami.

Eu me curvo ao Deus Todo Poderoso,

Eu me curvo a linhagem dos mestres da Kriya Yoga.

Eu me curvo ao Gurudev Baba Hariharanandaji e ao meu Guruji Paramahansa Prajnananandaji.

Sentindo a presença dos Gurus, eu reverencio a todos vocês.

Boa tarde!

Sentado no Ashram, na presença do Gurudev, gostaria de agradecer esta oportunidade e enviar a vocês uma mensagem, nesta bela ocasião da celebração do aniversário de nosso mestre Paramahansa Prajnananandají.

Amanhã, ele irá completar 50 anos e, nesta ocasião, estaremos realizando um Seminário.

Nas escrituras há uma repetida ênfase de que a pessoa não deve trilhar a vida espiritual sem a orientação de um Guru.

Sob todos os pontos de vista esta parece ser uma afirmação lógica. Sem a ajuda de um profissional não podemos aprender ciências, história, geografia, matemática ou qualquer outra matéria.

Da mesma maneira, para ter o conhecimento espiritual, temos que aceitar o Guru. Temos que perceber que o Guru é uma vantagem para nós, não importa aonde ou como vivemos.

Na vida espiritual o Guru é de máxima importância. Não importa que tipo de discípulo escolhemos ser. Em relação ao Guru, temos que desenvolver uma grande devoção e entrega, humildade, sinceridade e obediência completa e total a ele.

Alguns são mais afortunados do que outros e conseguem trilhar esse caminho naturalmente. Outros têm essas qualidades dentro deles, mas estão cegos pelo mundo exterior.

É a presença, o amor e a inspiração do Guru que gradualmente abre essas pessoas para sua verdadeira natureza. Ainda assim, alguns encontram dificuldade em manter esses ideais, é contra sua natureza. Mas eles devem sempre perseverar na tentativa de conseguir essas qualidades. Se o esforço for sincero, o Guru, sem dúvida alguma, irá ajudá-los até que obtenham êxito.

Os discípulos devem sempre estar conscientes que eles escolheram servir o Guru, não porque o Guru precise de nós, mas porque nós precisamos dele para crescer, expandir e jogar fora os nós que nos prendem.

Apenas quando pensamos nestes termos é que poderemos seguir as instruções do Guru, mesmo que elas pareçam sem sentido. No momento em que pensarmos de maneira diferente estaremos em grandes apuros. Se a fé e a devoção se dissiparem, vamos imediatamente começar a questionar o significado de ser um discípulo. E aí é quando a confusão começa.

Lembrem-se sempre que a relação Guru-discípulo não é baseada na lógica, ou no intelecto finito. É uma relação baseada numa consciência mais elevada. Se não mantivermos essa consciência mais alta em todo ato, o intelecto vai tentar encher nossa mente com dúvidas negativas. E aí o discípulo vai questionar a razão de trabalhar tão duro no Ashram, sem nada receber como recompensa. A mente vai começar a fantasiar como esse mesmo trabalho pode gerar recompensas e status. Esses pensamentos podem ou não ocorrer e cabe exclusivamente ao discípulo decidir como vai lidar com eles.

Se ele decidir tentar manter a devoção e respeito ao Guru, ele irá sobreviver às turbulências da mente. Caso contrário, a resistência irá se dissipar e a força de vontade enfraquecerá e, mesmo se o discípulo decidir a continuar a viver no Ashram, irá se sentir sempre insatisfeito.

Para fortalecer o vínculo com o Guru é necessária a total obediência, mesmo dos chefes de família e daqueles que não vivem no Ashram.

Lembrem-se, o Guru não é insano. Ele conhece nossas limitações melhor do que nós mesmos. Se ele nos pede para fazer algo, podemos ter certeza que pensou bastante sobre isso. Se o Guru insiste para fazermos coisas que não gostamos, é porque existem certos aspectos de nossa personalidade que precisam ser removidos para que possamos crescer na vida espiritual.

Agora, no aniversário do Gurudev, ele anunciou as preparações para estabelecer Ashrams em dois lugares. Um na América do Sul e outro na Austrália. Estou indo para diferentes centros e comento sobre o primeiro Ashram a ser estabelecido em Chicago, na área do meio-oeste e percebo reações diferentes.

Por isso, é importante e sábio que o seguidor seja tão inocente e brincalhão quanto uma criança. Suas necessidades devem ser simples, suas ações puras, e seu trabalho bondoso. Quando nos tornamos adultos perdemos a inocência e bondade das crianças, por isso não conseguimos sentir os prazeres e alegrias em apenas ser. Nós inibimos as expressões mais puras de nossa mentes e impedimos a graça e a energia que tentamos liberar. É precisamente essa liberdade e expressão da mente que o Guru quer que o discípulo desenvolva.

O Guru não se importa se o discípulo pode ler e escrever. Se é rico ou pobre. Essas são apenas manifestações exteriores, camadas externas. O Guru está profundamente preocupado apenas com o crescimento espiritual do discípulo. E para isso, o discípulo não deve interferir com a livre expressão da mente. A entrega é o objetivo final. Quando a entrega é completa o pensamento do discípulo e do Guru são apenas um. Somente neste momento é que as palavras do Guru se tornam verdadeiras na vida do discípulo. Se este for obstinado e desobediente, com uma personalidade própria, o Guru não pode fazer nada, mesmo que queira. Esta é uma lei cíclica.

Se o discípulo se entregar completamente, sua mente se conectará com a mente do Guru e ele será orientado, não apenas nos momentos conscientes, mas também durante a meditação. Para completar, a obediência total ao Guru o discípulo treina sua mente consciente, inconsciente e subconsciente para receber instruções. Nos estados mais altos de meditação o discípulo não tem controle de suas experiências. E é neste momento que ele precisa da orientação do Guru para mostrar o caminho. Mas, para ser receptivo ao Guru o discípulo tem que abrir a mente para cada palavra do mestre. O discípulo deve lembrar que se não obedecer seu Guru no plano consciente, com certeza não o fará no inconsciente. O propósito da entrega e obediência é se tornar um instrumento eficiente do Guru e de todos os Mestres. É precisamente por isso que a obediência é enfatizada, e não porque o Guru seria um mestre e o discípulo um servo. Para que o Guru passe o poder espiritual só acontece com a entrega e obediência total.

Eu me lembro de uma pequena história.

Um dia, um rei estava sentado em seu palácio e um monge foi visitá-lo. Era tradição e costume o rei se curvar ao monge e oferecer um lugar para sentar, com o devido respeito. Ele perguntou o que podia oferecer. O monge respondeu que ele poderia oferecer o que pertencesse apenas a ele mesmo.

O rei disse: “Eu lhe ofereço 10.000 vacas”, já que naquele tempo as vacas eram consideradas riqueza.

O monge falou:”essas vacas não lhe pertencem, elas pertencem ao reino”.

O rei então ofereceu o filho. E o monge falou que o filho também não pertencia a ele, pois o filho tinha sua própria personalidade e pertencia também a esposa do rei. Com certeza não era propriedade do rei.

Ele disse então: “vou lhe dar minha mente.”

“Muito bem”, falou o monge, “a mente é sua. Mas lembre-se, quando você me der a sua mente, não poderá pensar em você mesmo”.

O rei ficou pensativo e disse: “me dê algum tempo”. O monge foi embora.

Seis meses depois o monge retornou e perguntou a mesma coisa: “Ó rei, você está pronto para me oferecer a sua mente?”

O rei não estava pronto e disse:”preciso de mais tempo”.

Depois de um ano o monge voltou, mas desta vez o rei havia preparado sua mente com disciplina, orações e meditação, e sua mente estava calma. Ele disse: “agora estou preparado e ofereço minha mente para você”

A partir deste dia, o rei não pensou em mais nada a não ser no Guru. O tempo todo ele estava no caminho do Guru, seguindo-o 100%.

Ele também não estava mais prestando atenção aos negócios do Estado. Depois de alguns meses as pessoas perceberam que o reino estava um caos. Então foram falar com o monge e pediram que os ajudasse. Com isso o Guru pediu ao rei que fosse vê-lo.

“agora você deve voltar ao seu reino e reassumir todas suas responsabilidades como rei”. E o rei seguiu seu conselho.

Essa é uma pequena história, mas tem uma mensagem. Quando oferecemos nossa mente e seguimos completamente o Guru, conseguimos as graças do Guru e os ensinamentos são manifestados em nossas vidas.

O rei deu a sua mente finita e limitada, mas o Guru a devolveu em sua totalidade, para manifestar a divindade em seu grau mais alto.

A vida espiritual é entrega. Não deve haver dúvidas do porque o Guru está me falando isso ou pedindo para fazer tal coisa. Ao ficar perguntando o motivo cessa o progresso espiritual.

Nós temos uma visão limitada, mas o Guru não. Ele pode até mesmo prever nosso futuro. Por isso qualquer coisa que o Guru diz tem um significado, temos que seguir 100%.

Amanhã é o aniversário de 50 anos do Guruji. Vamos prometer a nós mesmos que em quaisquer circunstâncias não iremos nos desviar e que vamos seguir nosso Guru 100%, sem perguntas e sem dúvidas. Vamos tentar ajudar e permitir. Vamos deixar que o Guru trabalhe em nós mesmos, porque senão como podemos esperar que ocorra a transformação e a mudança em nossa vida.

Estou orando a Deus e aos Gurus para uma vida longa e com saúde ao nosso mestre Paramahansa Prajnananandaji. Que ele viva muito para nos guiar no caminho espiritual, nós precisamos cada vez mais dele.

Vamos orar por ele. Ao mesmo tempo estou orando por todos vocês, por sua paz,prosperidade e perfeição. Vamos todos alcançar, nesta vida, a realização em Deus, seguindo as instruções do Guru e os ensinamentos da Kriya Yoga.

Vamos nos lembrar de Deus, em cada momento, em nossas atividades. Mantendo a consciência em Deus, mantendo a consciência no Guru, vamos tentar mudar nossa vida.

Obrigado a todos e que Deus os abençoe.

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