sábado, 9 de janeiro de 2010

carta a um amigo! Sobre o Candomblé e a Umbanda!






Caro amigo, em resposta á sua carta

Hari Om!


O "Candomblé" ou Umbanda , no Brasil deu início com a vinda dos escravos, da Africa e eles trouxeram sua religião. O povo Yorubá tinha escrita e porisso muito da religião deste Povo Africano foi preservada na escrita. outras nações só têm tradição oral. Ao contrário do que muitos pensam, não é um politeísmo ou animismo como costumam rotular. è uma religião estruturada com rituais milenares, mas infelizmente como tudo neste mundo, poucos são os lugares que realmente vivem tudo o que é preconizado pela religião. Eu particularmente fui criada em um lar católico mas ecumênico. Conheci a Umbanda e o Candombé aos 40 anos, atraída por uma necessidade de aprofundar minha espiritualidade e vivenciar alguns saberes que havia adquirido na Gnose e Rosa Cruz Amorc. Viagens astrais, vidência, astrologia, tarot, reencarnação e o culto á Natureza como divina  faziam parte do meu universo interior. Encontrei um pequeno sítio, um zelador de santo, pai de santo ou babalorixá, que como eu tinha afinidade com o esoterismo e não gostava de matança de animais, apesar de comer carne e até preparar carne para os orixás e filhos de santo( tem os  frequentadores, aspirantes,batizados, que fizeram o bori e realmente iniciados) os aspirantes aprendem a dançar e cantar, cuidar da sua deidade ou força da natureza que é conhecida no jogo de búzios. Os batizados podem vestir roupas e entrar na roda de dança, ás vezes entram em transe e recebem a energia de canalização de um Orixá ( uma força muito grande, que desperta sua alma e enche seu corpo de energia divina daquele orixá que tem afinidade com vc) Ori é nossa Cabeça , Nossa cabeça nem sempre vem pronta para viver a dualidade, a vida espiritual e a vida material. Assim dá-se de comer á cabeça da pessoa isso é o Bori para fortalecer o caráter da pessoa e prepara-la para sintonizar a energia do orixá que está lá dentro da sua cabeça. depois do bori o filho vai aprendendo como cultuar a deidade , conviver nas regras do "terreiro, ou roça de santo ou orixá ( para ser um verdadeiro terreiro tem que ter sido originado á partir de um outro terreiro ( se chama axé) o ariaxé ( é como uma linhagem) a mãe de santo emancipa seu filho para abrir um terreiro ou r
oça, depois das obrigações ( rituais longos e transcedentais) de feitura de orixá. 7 meses, um ano, tres anos sete anos até o decá de santo( que o filho leva uma parte do ariaxé ) e vai passar a ser pai/mãe daquele espaço sagrado.Dentre os rituais existem o preparo de banhos sagrados, e rituais internos para a fortificação do axé da Casa, terreiro ou roça e os orixás assentados. Alguns lugares fazem atendimentos a pessoas de fora outros só nutrem a espiritualidade daquela comunidade, recebendo aspirantes para a iniciação. Neste caso os ebós são oferendas que são alimentos, flores, líquidos, ritualisticamente elaborados e entregues com muita devoção e respeito, elas são entregues no chão do espaço ou no tempo como chamamos( ao ar livre, quando é um sítio ou roça é facil) no caso de terreiro em cidades são oferecidos nas cachoeiras, mares montanhas, pedreiras, cavernas, estradas....claro tem as pessoas de bom e mal caráter, os que zelam pela natureza e os que depredam. Os ebós na tradição são oferecidos para aplacar o desequilíbrio de energia, para agradecer, para proteger as pessoas da inveja, maledicência e outras situações. O principal é a força espiritual ou axé. O Ebó só funciona se tiver um Ori forte com  um Orixá bem recebido. Quando se é iniciado você nasce novamente e ganha um nome dado pelo seu orixá através dos búzios ou do" Erê" o Orixá provoca uma regrssão no seu "filho" e fala o que é necessário. isso só acontece na esteira ou em circunstâncias excepcionais. O Exú ou Lebara cuida o corpo, a cabeça é divinizada. Mas  O Exú ou Leba tem 17 tipos e é responsável por levar e trazer as mensagens dos orixás também. Isso através do Ifá ( um oráculo) buzios, cartas ou agua, nuvem qualquer tipo de clarevidência em transe.
è uma tradição linda que como quase tudo neste mundo é utiliuzada por muitos para extorquir dinheiro das pessoas, levar vantagens pessoais etc. Mas tem roças extremamente bem cuidades que abrem uma porta para o Universo e onde todos os orixás são cultuados na sua forma Olodumaré , Olorum ou Zambi  é Deus absoluto. Olodumnaré são os Orixás em equilíbrio protegendo a Mãe Natureza e os seres humanos sua Cabeças ( onde mora a divindade) uma pequena porção da energia dos Orixás que com a força do caráter e boas obras , disciplina ou vontade de evoluir da pessoa ou grupo pode irradiar muita Paz e muito Amor ao mundo.
A música, a culinária, as roupas coloridas, as preces( como mantras em Yorubá, Nagô ou algum dialeto). No Brasil a Umbanda , criada pelo Mestre Ramatiz sincretiza o candomblé, com os santos católicos, os índigenas( caboclos) , cultos egípcios, ciganos, gregos e hindus( a linha do oriente). No Brasil tem mutos adeptos desta forma de adorar e servir a Deus. A Africa foi ficando muçulmana, e massacrada com miséria, fome e guerra biológica, pelos países ocidentais que ainda  se consideram mais evoluídos, mesmo com tanta barbárie! e mutas tradições são mantidas no Brasil, Cuba e outros países.
Pra mim foram 10 anos de celibato, muito trabalho ( construção, jardinagem, reforma, atendimento á comunidade , visita a famílias doentes ou com necessidades extremas) Muita prece, cozinha para oferecer aos  Orixás e às pessoas que procuravam ajuda ou socorro. estes anos realmente foram muito importantes para o meu amadurecimento em geral. Tudo feitop com devoção, carinho, entrega, oração, canto, dança, arte, confecção de roupas, objetos cerimoniais, rituais nas matas, cachoeiras, rios...) enfim, com necessidade de conviver com as diferenças e aprender a amar respeitando cada um com sua especificidade, e trabalhando para o sustento das nossas famílias, criação dos filhos, cidadania! Pra mim foi demais, eu consegui conciliar tudo e só tenho a agradecer a Deus !

Terminei minhas obrigações e fui liberada para seguir minha vida espiritual de modo autonomo.Meu zelador, cuida até hoje do assentamento do orixá: é um local onde depositamos a energia além do nosso ori, sem o Ori não existe vínculo com o assentamento) em 2003 , mudei de cidade e estado. Com a liberdade que me foi dada e as condições de volta a São paulo, optei por viver minha espiritualidade na minha morada e cultuar minha Yemanjá no meu Ori, ocasionalmente caminho pelo Mar, entrego flores e tenho muitas respostas amorosas dela como Mãe Divina, Mãe das Cabeças ou Oris. Em 2006 conheci a Kriya e fui iniciada, recomeçei um novo ciclo agora também muito bom apesar de diferente, na essência é tudo uma coisa só: a disciplina , a meditação, a oração, entregar sua vida á Deus e respeitar o seu Orientador ou mestre, Guru ou o nome que tiver, ter um estilo de vida simples, ser generoso, limpo em todos os sentidos e absolutamente verdadeiro e sincero na sua opção!
Não sei se melhorei ou atrapalhei sua reflexão!
Qualquer coisa estou por aqui, se puder ajudar, será um prazer!
Que a Mãe Divina em todas as suas formas nos abençoe!
Jai Guruji! Eu Reverencio você meu amado sadguru Paramahamsa Prajnananada Giri!
Que Deus e os Mestres da Kriya  Yoiga nos  abençoem e nos ensinem a meditar!
Agradecida!

Eni Ma

2 comentários:

  1. Olá, gostei de sua história. Tenho conhecido o candomblé de raiz angolana e estou apaixonada. Se quiser, visite meu blog para ler um pouquinho a respeito. Muita paz para você!

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